Folha de S. Paulo - 24 de julho de 2008
Em visita a Jerusalém, Barack Obama observa fogo eterno no memorial do Holocausto
Foto: Paul J. Richards/France Presse

E lá vai Barack Obama em sua tentativa desesperada de construir uma nova imagem de si mesmo. Desde o primeiro momento em que Obama passou a ser encarado como um forte candidato a vencer as prévias do partido democrata, inúmeras foram as tentativas de adversários políticos de associarem a imagem de Obama ao Islamismo e, com isso, aos países árabes inimigos dos EUA. Além de diversas afirmações, uma fotografia do jovem Obama vestindo trajes muçulmanos e uma charge publicada na capa da revista New Yorker colaboraram no sentido de levantar dúvidas a respeito da identidade do democrata, que repetidas vezes disse-se cristão. Vale lembrar que de acordo com pesquisa recente do Pew Research Center, 10% dos americanos acreditam que Obama é realmente muçulmano e isso pode ser fatal à candidatura do democrata. Levando-se em consideração esse pano de fundo, a visita que Obama faz a Israel é significativa. A FOTO - Na imagem acima, Obama veste as cores da bandeira do Estado judaico (azul e branco), usa a Kipá e encontra-se no memorial do Holocausto, local que relembra o trágico momento da história da humanidade. A posição curvada de Obama, humilde, o semblante sério e contido, iluminado pelo fogo, parece mostrar que ele sente muito pelos acontecimentos dos quais foram vítimas, entre outros, 6 milhões de judeus. A fotografia parece querer dizer que Obama sabe o que aconteceu e, portanto, podería-se pensar que está alerta e não pouparia esforços para evitar que algo do tipo aconteça novamente. Obama aparece sozinho na imagem, o que neutraliza o caráter 'oficial' do evento. Em outras palavras: numa fotografia em que aparecessem na cena seus assessores, ou membros do governo israelense (que sem dúvida estão presentes atrás da câmera), o evento teria o caráter de planejado e, poderia-se dizer, artificial. No caso, Obama, sozinho, parece gozar de um momento de isolamento e reflexão. Tudo leva a crer que, pelo menos no presente, estar ao lado de Israel (e da comunidade judaica) e afastado do Islamismo e dos países árabes inimigos dos EUA, é pré-condição para aqueles que têm alguma pretensão de tornar-se presidente dos EUA. Nesse sentido, a fotografia cumpre sua função.
Escrito por Daniel Douek às 00h06
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|