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A Mensagem Fotográfica
 


Folha de S. Paulo - 31/10/2007 - CAPA

Da esq. para a dir., Dunga, o presidente Lula, Romário, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter (Fifa) na cerimônia

Foto: Jorge Araújo/Folha Imagem

Da esq. para a dir., Dunga, o presidente Lula, Romário, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter (Fifa) na cerimônia

Mais uma sobre a copa do mundo no Brasil. Pelo terceiro dia seguido...

No início da semana, um assessor do governador de São Paulo, José Serra, afirmou que ficar de fora da foto que seria feita no anúnico oficial da Fifa (confirmando o Brasil como sede da Copa de 2014) significaria "prejuízo eleitoral certo". Curioso... O futebol e, particularmente, a Copa do Mundo, mais do que simplesmente um evento esportivo, é também um evento político. Basta observar a história das copas para lembrar dos diversos usos que chefes de estado fizeram desse evento que, muitas vezes, serviu para a exaltação do nacionalismo de um país, gerando popularidade aos líderes do momento. A Copa de 1934, vencida pela Itália fascista de Mussolini, é um caso exemplar. No Brasil, a ditadura militar se aproveitou do título da seleção na copa de 1970: a vitória nos gramados foi usada como símbolo da vitória do país em todos os aspectos (social, econômico, etc.), sob o comando dos militares. Seria agora a vez de Lula?

Interessante verificar que é Lula quem parece comandar a cena: é ele quem está com o microfone e dirige a palavra aos demais. Dunga e Joseph Blatter aplaudem a fala do presidente, gesto que não pode ser feito também por Romário, que está com as mãos ocupadas, segurando a taça, e só pode dirigir o olhar para Lula. Mas o que chama a atenção é a figura de Ricardo Teixeira. Ele não tem as mãos ocupadas e mesmo assim não está aplaudindo. Suas mãos (presas uma na outra) parecem atadas. Olhamos a expressão de seu rosto e percebemos que é como se o presidente da CBF estivesse dormindo em pé. Em outras palavras, é como se Ricardo Teixeira estivesse "desligado". Fica a sugestão de que, no fundo, é Lula é quem dá as cartas e não o presidente da CBF.

(poderia-se imaginar, por outro lado - numa segunda interpretação -, que, ao deixar de aplaudir e "dormir" durante o discurso de Lula, Ricardo Teixeira está fazendo pouco caso da fala do presidente. Ou seja, no fundo, tanto faz aquilo que o presidente fala ou deixa de falar... Fico com a primeira interpretação por um motivo simples: todos as outras pessoas que aparecem na cena se dirigem a Lula, seja por meio do olhar, do aplauso, ou ambos, o que fortalece o presidente do país em detrimento do presidente da CBF. Mas tenho minhas dúvidas...)



Escrito por Daniel Douek às 11h14
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Folha de S. Paulo - 30/10/2007

O técnico da seleção brasileira, Dunga, e o governador de MG, Aécio Neves, deixam hotel em Zurique (Suiça) para almoçar na Fifa

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O técnico da seleção brasileira, Dunga, e o governador de MG, Aécio Neves, deixam hotel em Zurique (Suíça) para almoçar na Fifa

Começou a corrida dos estados para sediar jogos da Copa de 2014 no Brasil. Num primeiro momento é de se estranhar que o técnico Dunga e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, dividam a cena (estamos mais acostumados a ver Dunga ao lado de seus jogadores), mas a Copa de 2014 está aí e pode trazer dividendos políticos. O comantante da seleção é seguido por Aécio Neves e, por estar um passo atrás, Aécio se torna quase um sombra de Dunga, o que nos traz a impressão de que onde Dunga for, ele irá atrás. Até à Zurique, na Suiça, local em que a foto foi tirada. A imagem que fica é a de que Aécio não pode perder a seleção de vista. Trazer jogos da Copa do Mundo (e quem sabe até um jogo do Brasil) para Minas Gerais contribuiria para elevar ainda mais a sua já alta popularidade, o que seria de grande valor para a sua possível candidatura às próximas eleições presidenciais.



Escrito por Daniel Douek às 11h11
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Folha de S. Paulo - 28/10/2007 - CAPA

Gol de Schiaffino na final da copa de 50 no Maracanã

Foto: France Presse

Gol de Schiaffino na final da Copa de 50 no Maracanã

Não é mais possível duvidar da força que uma imagem pode ter. Após quase 60 anos, a fotografia acima continua sendo símbolo da derrota do Brasil na Copa de 50. Ela parece conter diversos elementos que sintetizam a derrota no congelamento de um milésimo de segundo.

Ao fundo o Maracanã aparece lotado. A síntese da derrota não poderia deixar de levar em conta toda a torcida brasileira que lotou o Maracanã. Lembrando rapidamente o que aconteceu naquele dia: o Brasil jogava em casa e precisava de apenas um empate para conseguir o seu primeiro título mundial. Além disso, ainda saiu na frente no placar, marcando 1x0. Para a surpresa geral de todos, o Uruguai virou a partida e levou a Copa, silenciando a torcida, que já dava o título como certo. Seguindo a imagem, quem aparece exatamente no centro é Schiaffino, herói uruguaio que marcou o primeiro gol da equipe. Atrás dele, três jogadores brasileiros "vencidos". Um deles, caído no chão, parece lembrar a queda de toda a seleção diante do Uruguai. Mas a figura do goleiro brasileiro é também bastante significativa. Nossa visão é a mesma do goleiro. Ao olhar para frente, nos deparamos com o ataque do jogador uruguaio. Assim, é com se nós mesmos tivessemos levado o gol. Vale notar ainda que, mesmo esticando-se todo, o goleiro brasileiro não passa nem perto da bola. A bola, por sua vez, encontra-se exatamente no "ângulo da fotografia". No futebol, o ângulo é talvez o local mais sagrado do gol; é o mais difícil de atingir e, quando um jogador consegue esse feito, a bola é, normalmente, indefensável.



Escrito por Daniel Douek às 10h15
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Folha de S. Paulo - 27/10/2007 - CAPA

O empresário Nenê Constantino (Gol) dá tapa na câmera do fotógrafo Alan Marques da Folha, ao chegar para depor em inquérito no DF

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O empresário Nenê Constantino (Gol) dá tapa na câmera do fotógrafo Alan Marques, da <b>Folha</b>, ao chegar para depor em inquérito no DF

A foto e a legenda parecem dizer duas coisas diferentes. Ao olhar para a imagem, a primeira impressão que temos é a de que os dois homens que aparecem retratados são colegas que acabaram de se encontrar. O braço direito estendido e a plama da mão aberta de Constantino parecem traduzir um gesto amigável, ao mesmo tempo em que a expressão no rosto do fotógrafo está mais próxima de um sorriso do que sinalizando apreensão ou preocupação. A legenda, por outro lado, contradiz essa primeira impressão ao afirmar que, na verdade, o empresário está tentando desviar a máquina fotográfica, impedindo que o fotógrafo possa capturar sua imagem.

Ironicamente, Constantino é flagrado por outro fotógrafo justamente no momento em que tenta impedir uma foto sua. Certamente, a ação do empresário é muito mais relevante (e mereceu a capa da Folha) do que a sua imagem indo depor. Importante dizer também que, ao tentar impedir o trabalho do fotógrafo, a impressão que fica é a de que ele deve ter culpa em algo.

Mas qual o sentido dessa imagem? Será que Constantino é realmente o grande foco de interesse? Acredito, mais do que retratar um dos sócios da Gol numa situação um tanto constrangedora, a grande sugestão é a de que é impossível deter a mídia em seu esforço de "retratar a verdade dos fatos". Essa imagem confere força justamente aos fotógrafos e seu suposto trabalho infalível. Assim, mesmo se alguém tentar impedir a retratação da realidade, o retrato será feito e, mais do que isso, a própria tentativa de impedimento será mostrada.



Escrito por Daniel Douek às 09h44
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