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A Mensagem Fotográfica
 


Folha de S. Paulo - 26/10/2007 - CAPA

Funcionários da cooperativa mineira Casmil, uma das acusadas de adulterar leite, retira amostra para medir a acidez do produto

Foto: Joel Silva/Folha Imagem

Funcionário da cooperativa mineira Casmil, uma das acusadas de adulterar leite, retira amostra para medir a acidez do produto

O leite é um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros e, portanto, a suspeita de contaminação é assunto de grande apreensão. A primeira coisa a notar na fotografia acima é a posição das latas de leite. Se olharmos com atenção, elas parecem formar um mapa do Brasil! A semelhança com o traçado do país pode sugerir uma série de coisas. Em primeiro lugar, sugere a grande extensão do problema, que atinge todo o Brasil. Isso levanta uma questão interessante, uma particularidade dos tempos comtemporâneos: uma empresa, estabelecida em um determinado local, consegue espalhar seus produtos por todas as partes. Em segundo lugar, podemos perceber que há latas cheias e outras vazias. Seguindo a comparação com o mapa do Brasil, a maior parte das latas vazias encontra-se no que seria o nordeste, certamente a região em que as dificuldades financeiras da população são maiores - e portanto, as dificuldades de consumo também.

Mas há outras coisas: a foto retrata o tratamento do leite de modo muito pouco higiênico. O leite encontra-se em latões sobre um chão amarelo bastante sujo, a funcionária que aparece retratada não usa luvas e, finalmente, os latões estão abertos, dando a impressão de que o leite está sujeito a qualquer contato com o meio externo como, por exemplo, insetos que circulam pelo ar.

Por fim, no canto superiror esquerdo da imagem, há um galão preto cujo conteúdo não podemos saber. O galão (de plástico e opaco) é do tipo daqueles que armazenam substâncias químicas e, no contexto das acusações por que passa a empesa retratada na foto, poderia-se imaginar um galão contendo algum elemento estranho ao consumo.



Escrito por Daniel Douek às 19h27
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Folha de S. Paulo - 24/10/2007 - CAPA

Manifestante tenta conter policiais durante confronto em Caracas entre as forças de segurança e milhares de estudantes contrários à reforma constitucional proposta por Hugo Chávez

Foto: Jorge Silva/Reuters

Manifestante tenta conter policiais durante confronto em Caracas entre as forças de segurança e milhares de estudantes contrários à reforma constitucional proposta por Hugo Chávez

Uma leitura possível:

Será que uma manifestação de estudantes em Caracas é tão relevante assim para os leitores da Folha de S. Paulo, de modo que a foto acima ocupe quase um quarto da capa do jornal? (veja a capa em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cp24102007.htm). Estranho. Para entender a escolha dessa imagem talvez tenhamos que ir além da manifestação estudantil e verificar em que contexto ela foi utilizada. Basta olhar a manchete de ontem do jornal para perceber algumas coisas: "PF vai investigar ligação entre PT e Cisco". Ora, e o que mostra a fotografia? Justamente um rapaz tentando "conter", segurar, impedir a ação policial (obs: diferentemente da versão impressa do jornal, a imagem acima está cortada e não podemos ver as pernas do rapaz, o que prejudica a leitura). Ao olhar a capa do jornal, as duas primeiras coisas que percebemos é esta fotografia e a manchete principal. Novamente, embora as duas notícias (da manifestação em Caracas e da investigação da PF) não tenham nenhuma relação entre si, lado a lado, a polícia de Caracas na foto parece representar a própria PF, enquanto que o manifestante que tenta impedir a ação policial, parece ser o PT, como se o partido estivesse tentando barrar as investigações.



Escrito por Daniel Douek às 11h56
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Folha de S. Paulo - 23/10/2007 - CAPA

Moradores de rua dormem diante da catedral da Sé (região central de São Paulo)

Foto: Marlene Bergamo/Folha Imagem

 

<b>A PRAÇA É NOSSA</B> Moradores de rua dormem diante da catedral da Sé (região central de São Paulo)

O céu fortemente nublado, carregado, que ocupa grande parte da imagem, parece conferir tom nebuloso ao problema dos moradores de rua - ou ao problema que eles representam? O que é mais interessante é que a mureta que "corta" a foto, parece dividir dois mundos: o dos moradores de rua e o resto. Na frente, no mundo dos moradores de rua, não há nada além do concreto do chão, usado como cama. Na parte de trás, onde se encontra o mundo propriamente dito, podem ser vistos os prédios e árvores (vida?). Curiosamente, a igreja está para lá da mureta, o que causa a impressão de que até mesmo essa instituição faz parte do outro mundo, do mundo dos prédios, do mundo daqueles que tem onde morar. Por outro lado, embora esteja do lado de lá, a igreja está virada para o lado dos dois homens que dormem na praça, o que pode sugerir que, apesar de estar do outro lado, a Igreja permanece olhando para os desafortunados.

Outra coisa chama a atenção: pode-se perceber que a foto foi tirada de dia! Ora, mas os dois homens que aparecem na imagem estão deitados, dormindo. Pode-se questionar: Como é que eles se dão o direito de dormir em plena luz do dia, quando a maioria das pessoas está trabalhando? Novamente, a fotografia tomada isoladamente pode reforçar aquilo que muitos já pensam: "moradores de rua são aqueles que não querem trabalhar". Nesse sentido, a culpa da pobreza torna-se do próprio indivíduo e não da sociedade em que se encontra, do sitema econômico ou mesmo do governo.



Escrito por Daniel Douek às 19h47
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Folha de S. Paulo - 22/10/2007 - CAPA

O finlandês Kimi Raikkonen festeja a vitória no GP Brasil com ajuda de Felipe Massa, o que lhe rendeu o título mundial de F-1

Foto: Caio Guatelli/Folha Imagem

O finlandês Kimi Raikkonen festeja vitória no GP Brasil com ajuda de Felipe Massa, o que lhe deu o título mundial de F-1

Na semana passada, um leitor alertou para a necessidade de "geografizar" as fotografias, isto é, inserí-las no contexto mais amplo da capa do jornal, levando em conta a manchete, o tamanho, a posição, etc. Pois bem. A foto dessa segunda-feira mostra o finlandês Kimi Raikkonen de braços abertos, erguidos, com a garrafa de espumante na mão, comemorando o título mundial da F-1. A manchete principal do jornal: "estrangeiro lucra o dobro (do que o brasileiro) com a dívida do governo". Ora, qual a relação entre essa imagem e a manchete do jornal? Aparentemente, são dois assuntos completamente diferentes, mas basta lembrar da maneira como Raikkonen venceu a corrida para descobrir novos sentidos. O brasileiro Felipe Massa fez o melhor tempo nos treinos, largou na pole position, estava liderando toda a prova e, muito provavelmente, venceria a corrida tranqüilamente. No entanto, a vitória de Massa, que não tinha mais chances de ser campeão, impediria o título da Ferrari e, com isso, a equipe italiana optou por fazer com que o finlandês ultrapassasse o brasileiro nos boxes, nos momentos finais da corrida. Agora vejamos a manchete do jornal: "estrangeiro lucra o dobro com a dívida do governo". Raikkonen é o próprio estrangeiro que comemora graças à ajuda (às custas?) de um brasileiro e, com isso, sua imagem torna-se um símbolo perfeito para acompanhar a manchete, criando-se uma idéia de que frente o estrangeiro o brasileiro acaba sempre desempenhando um papel de figurante e, principalmente, deve se curvar aos interesses externos.



Escrito por Daniel Douek às 19h07
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